quinta-feira, 24 de março de 2011

"Para provar novos chás, é preciso esvaziar a xícara."



A partir do trecho lido dos escritos de Francis Bacon em "Novum Organum", é possível perceber a busca dele por uma valorização da natureza como fonte, e soberana, de conhecimento. Sendo assim, é necessário respeitar suas realizações para poder conhece-las e, talvez, compreende-las.

Bacon expõe como enganosas e inúteis as lógicas e "filosofias falsas" já estipuladas e interiorizadas no pensamento do homem de seu tempo. Ele define as noções lógicas como "sem solidez, fantásticas e mal definidas". E diz, ainda, que a via de conhecimento que baseia-se em axiomas criados pelo intelecto de forma mais generalizada, devido ao fato de que este se atrai mais em estipular princípios gerais do que em deter-se e restringir-se a experiências naturais e basear-se na gradativa ascenção do conhecimento, é uma via falha, abstrata e inútil.

Acredito que nós, humanos, sempre buscamos nos apoiar e nos basear em algum tipo de conhecimento, devido ao fato de que o desconhecido é angustiante. Achei interessantíssima a teoria de Bacon dos "ídolos da mente humana", os quais ele coloca como barreiras para a aquisição de conhecimentos novos e desprendidos de amarras impostas histórica e até mesmo, de certa forma, naturalmente (através dos Ídolos da Tribo e dos Ídolos da Caverna).

A dificuldade de aceitação do novo é resultado da constante comparação com o velho, com o já existente e absorvido, mas Bacon busca disseminar a necessidade de renovação do pensamento. Isto me remeteu à frase que usei como título deste postagem (a qual eu li em um texto de Caio F. Abreu e que é baseada, até onde sei, em um princípio do Kung Fu). Em uma parte do texto, Francis Bacon cita a Acatalepsia, que seria a ausencia total do conhecimento da verdade, para uma determinada filosofia. Porém, pelo que pude compreender, ele a utiliza como a falta de compreensão, e esta falta de compreensão pode ser a porta de entrada para novas e diferenciadas formas de conhecimento. Claro que não há a possibilidade de se esvaziar completamente a mente de todos os homens para que passem a se basear apenas pelo que houver de novo, no entanto, alguma abertura é necessária, embora, por consequência, o novo sempre terá influência de tudo aquilo que já é, ou acredita-se que seja, conhecido. E esse novo defendido por Bacon é o conhecimento a partir da máxima experimentação da natureza possível.



Marianna Ambrosio Rodrigues - 1ºSS - Diurno