quinta-feira, 14 de abril de 2011

Uma tal mesa de bar ...

Uma tal mesa de bar reunia o pensamento teológico, o metafísico e o positivo, conhecidos respectivamente como: Teo, Met e Posi. Teo defendeu o seu retorno dizendo que em sua época áurea tudo funcionava, Met reclamou que ainda não teve o tempo necessário para colocar em prática todas as suas ideias, e Posi começou a proclamar que sua hora de agir havia chegado.

- Vejam a França, por exemplo, está inserida em uma anarquia intelectual, ainda temos a grande massa popular seguindo o Teo e alguns letrados correndo atrás do Met, é visível a desarmonia social, as minhas idéias vão colocar ordem, a minha escola é mais orgânica que a sua Teo, e mais progressiva que você Met.

- Derrubando tudo novamente para depois mudar as coisas do seu jeito. Bela maneira de acabar com a anarquia. – retrucou Teo.

- Ai é que reside à falência de suas ideias. – Começou Posi. – vocês se preocupam com as instituições, quando o alvo de mudança deve ser o Homem, é nele que reside o nosso processo de renovação.

- Escutem com atenção. A sociedade atual está dividida entre dois grupos, os empreendedores que dirigem as operações sociais e possuem meios materiais para tal, e os operados que executam as tarefas que lhe são designadas. A anarquia promovida por vocês refletem nesses grupos e abre espaço para as idéias de superação de classes, o que seria um desastre total.

- E como seu pensamento iria harmonizar as classes? – Indagou Met.

- Muito simples, o positivismo por ser uma filosofia oriunda das ciências modernas possui uma praticidade aplicada ao cotidiano desses grupos, principalmente dos operários que por não conhecerem o positivismo se apegam ao Teo e correm atrás de qualquer ideia fantasiosa.

- E como que o salvador da pátria pretende fazer isso? – Teo demonstrava certo rancor.

- Criando a Escola Positivista, levando minhas ideias para todas as ciências, todas as classes sociais, criando uma sociedade harmônica e que vise o progresso humano.

- E como você pretende fazer isso daqui? – disse Met com um ar desafiante.

Posi virou sua caneca, colocou um sorriso no canto da boca.

- Isso já está em andamento.

Alex Almeida da Silva – 1º SS Diurno.

Um Tal de Comte ...

Um tal de Comte andava em noite de lua cheia por uma rua desconhecida e rodeada de neblina. Olhava rápido para os lados em busca de algo conhecido e nada encontrava. Após alguns minutos de caminhada se deparou com um homem sentado em um banco, meio desconfiado caminhou naquele rumo em busca de informação.

- Boa noite, o senhor pode dizer onde estou? – indagou Comte.

- O senhor está perdido em transformações, exatamente igual a mim

Comte ficou surpreso com a resposta e meio sem saber o que fazer sentou-se ao lado do homem e continuou com suas perguntas.

- Como assim? Vamos nos ajudar, o senhor se lembra dos últimos lugares em que esteve? Pois eu não.

- Claro que lembro, andei pelo Estado teológico entre deuses e superstições, depois dei uma passada no Estado metafísico cujo olhar ia além das mãos.

- Engraçado, isso me fez lembrar a história recente de meu país, fizemos uma Revolução que acabou com o pensamento teológico e começou o metafísico, mas agora estamos perdidos, precisando de um guia para as transformações sociais que vemos.

O homem misterioso esboçou um sorriso e fez sua primeira e única pergunta.

- E no seu país, vocês vislumbram algum guia?

- Ainda não, mas tem gente falando que isso é tudo conseqüência da Revolução Industrial que agravou o conflito entre as classes sociais e que devemos superar isso.

O homem fechou o rosto e endureceu sua face.

- Besteira! Essa gente não sabe o que fala, deve haver um apaziguamento das classes sociais, cada um tem o seu papel para o bom funcionamento da sociedade, devem existir os operários e os patrões, o governo deve controlar os atritos entre os dois para que cada lado faça a sua função social.

- Então qual deve ser o nosso guia?

- O Estado positivo, a última fase da evolução do pensamento humano, vocês devem formar um governo liderado por uma elite científica e industrial, promover uma reforma intelectual do homem e depois das instituições, guiar todas as ciências para o estágio final de positivismo.

- Até parece uma forma de religião.

O homem misterioso fez uma cara de satisfação, de missão cumprida e murmurou.

- Sim, parece.

- E quem é você afinal?

- Eu sou o pensamento positivo, da onde venho me chamam de Posi.

Comte acordou assustado, olhou pela janela e viu o sol nascendo, levantou rápido e foi atrás de papel e caneta, acordou naquele dia com umas idéias que não poderia deixar escapar.

Alex Almeida da Silva – 1º SS Diurno.