quinta-feira, 5 de maio de 2011

Um tal de fato social.

Hiroshi já passará das oito horas obrigatórias em seu emprego, tava com vontade de pegar sua família e levá-los para jantar e se divertirem naquela sexta à noite, mas sabia que se fizesse isso seria visto como aquele que compromete o desempenho da empresa, o lucro de fim de ano poderia se menor, e como conseqüência o abono salarial de seus amigos, não seria mais bem quisto entre eles, e deixaria de ser chamado para as partidas de golfe com os seus colegas de trabalho.

Josef não sabia ao certo o motivo que o levou a participar daquela reunião sindical, nunca creditou muito nos movimentos grevistas e sempre temeu represarias por parte dos patrões, mas como aquela movimentação já havia fechado a fábrica e ocorria em frente à mesma, ele resolveu ficar para ver que fim levaria. O homem em cima do palanque falava coisas como aumento de salário e melhores condições de trabalho, assim como inúmeras palavras desconhecidas. De súbito a multidão em sua volta começou a gritar eufórica e a cantar músicas de reivindicação, Josef sem perceber levantou as mãos e começou a proferir ameaças contra seus patrões e a estrutura física da fábrica.

Ramires estava sentado em frete a TV com toda a sua família, o garoto de seis anos estava ansioso por aquele momento, já que todos passaram a semana falando do jogo entre Barcelona e Real Madri, fazia tempos que não via todos os seus tios, primos e seus pais reunidos, torcedores fanáticos do Real. O jogo começou e em lance de genialidade Messi marcou para o Barça, Ramires maravilhado com tal jogada esboçou uma comemoração que fora rapidamente repreendida, principalmente pelo seu pai. Naquele dia Ramires percebeu que seria mais bem aceito se vibrasse apenas com os lances do Real Madri.

O garoto João morava a dois anos nas ruas de São Paulo e aquele sábado não estava sendo nada proveitoso para os seus negócios de engraxate, conseqüência de suas roupas e higiene pessoal. Era possível ler claramente as palavras de reprovação nos olhos das pessoas, já que elas consideravam o que viam como algo abaixo de seus padrões de normalidade social. João avistou uma senhora que descuidou de sua bolsa, pensou na chance de comer bem naquela noite, deixou-se guiar pelo instinto e quando percebeu estava correndo com a bolsa na mão e dois policiais em seu encalço. Naquela noite João não comeu bem, ao invés disso fora mandado para a fundação casa com alguns hematomas.

Hiroshi, Josef, Ramires, João, assim como todos nós, vivenciam fatos sociais em seu cotidiano. Os colegas de trabalho, a multidão eufórica, a família e as leis são apenas alguns exemplos de coerção sobre o individuo.

Alex Almeida da Silva – 1º SS Diurno.