quinta-feira, 21 de julho de 2011

Max Weber se chocaria

Se o fato social tem força predeterminada como as paixões, hábitos, costumes, crenças, objetivos e valores, como afirmar que não tem idéia pré-estabelecida de antemão? Como dizer que a estrutura econômica ou a história não tem influência? Os valores de qualquer sociedade estão calcados nas relações de troca do capitalismo.

As paixões do homem, hoje, são compradas, os hábitos são comerciais, o foco é crescer materialmente, seus valores são materiais.

Acho que Weber ficaria horrorizado diante do mundo hoje. Compreender os valores que levam o indivíduo a agir em busca de algo é tentar compreender a história das civilizações, e todo seu contexto econômico.

O manifesto

Foi lendo o texto que compreendi porque o capitalismo se sustenta até hoje, apesar de lutar durante sua história, com crises, movimentos nacionais de trabalhadores, partidos oposicionistas, revolucionários, etc.
É que enquanto Marx analisa o capitalismo, indicando os elementos que o permeiam e que se voltam contra ele, subjugou a sua capacidade de movimento permanente, transformando crises, buscando soluções e quem sabe, usando das próprias armas que ofereceu ao proletariado, em benefício próprio enquanto o observava em transformação. Transformou-se com ele, e onde não cabia mais explorá-lo, o proletariado tornou-o seu aliado, dando-lhe pequenas fatias do bolo como compensação. Então, a grande massa mundial de trabalhadores, que poderia revolucionar essa forma de sociedade antagônica, de luta de classes, bebeu do vinho entorpecente da mesa farta do burguês, e se embriagou da ideia de também poder sentar-se à essa mesa, e deixou de ter a consciência do quão distante está dessa realidade. A perspectiva de apropriação coletiva dos meios de produção coletivos em favor do bem comum não seduziram mais que a ilusão do poder privado de cada um, o mundo dos direitos, o consumismo ao alcance de suas possibilidades. Com isto, o capitalismo, não só conseguiria subsistir à perspectiva de sua derrocada como também, criou domínio sob as mentes da massa trabalhadora, agora consumista. Reciclou-se o mundo capitalista incorporando à sua dinâmica , todas as classes inferiores.

A divisão do trabalho

A divisão do trabalho foi determinante para a civilização, sendo fonte de desenvolvimento intelectual e material das sociedades. Mas observando deste parâmetro, as necessidades da evolução das civilizações do ponto de vista do desenvolvimento econômico, podemos dizer que a civilização industrial é calcada pela divisão do trabalho em caráter moral? O fundamento da moral está na coação, tudo que é obrigatório tem fundo moral. Então, como dizer que a divisão do trabalho tem fundo moral? Seria por tornar a civilização possível?
Podemos pensar em complementaridade, onde cada um assume um papel conforme seu caráter. Estamos falando de solidariedade. Então encontramos o efeito moral da divisão do trabalho? Gerar solidariedade? As funções sociais se unem e se complementam estabelecendo uma ordem social e moral, pressupondo na dependência mútua, um alto grau de coesão da sociedade. E o símbolo desta solidariedade é o direito, que reproduz suas formas principais e mede sua importância pelo número de normas jurídicas que a exprimem e ocupa lugar na consciência pública através do direito penal, que é repressivo e o direito restitutivo que constitui o direito civil, comercial, processual, etc., que traz consequências sociais, privando o indivíduo de valor social.
Concluindo, a função da divisão do trabalho, vem de encontro aos interesses do capitalismo, desde os seus primórdios pois que houve uma coação à uma solidariedade que não me parece de modo algum espontânea. Para que se estabelecesse uma civilização, para que se garantisse um desenvolvimento econômico, para que se aumentasse o capital, o Estado Capitalista tratou de estabelecer leis que garantissem que esta solidariedade se impregnasse de normas de conduta, de moralidade, de ética, de civilidade. E os maiores protagonistas desta divisão do trabalho, os operários são solidários a seus senhores capitalistas até hoje, em nome da moral e dos bons costumes, e continuam a andar nos trilhos, dentro das leis, solidários e explorados, solidários e oprimidos, solidários e excluídos.