quinta-feira, 1 de maio de 2014

Se os nossos sentidos fossem perfeitos, não precisávamos de inteligência; nem as ideias abstratas de nada nos serviriam. A imperfeição dos nossos sentidos faz com que não concordemos em absoluto sobre um objeto ou um fato do exterior. Nas ideias abstratas concordamos em absoluto. Dois homens não veem uma mesa da mesma maneira; mas ambos entendem a palavra mesa da mesma maneira. Só querendo visualizar uma coisa é que divergirão; isso, porém, não é a ideia abstrata da mesa.
— Fernando Pessoa.

Sobre sociedade e políticas em Franca

Um lugar que foi elaborado para o convívio de “moradores de rua” e outros membros da comunidade se transformou em um lugar para consumo de entorpecentes e álcool além de furtos, brigas e sexo.
Os frequentadores do ambiente acabaram por dominar o que deveria ser gerido por funcionários qualificados. Positivistamente, diríamos que deve haver uma patrulha policial que contenha os rebeldes e mantenha a paz no ambiente, mesmo que para isso seja necessária a utilização de alguma violência, porém pensamentos futuros, em especial a partir de Durkheim, diria que estes usuários “cancerígenos”, organicamente falando, precisam ser retirados do convívio social para serem tratados e posteriormente retornar a esta esfera.
“Não estamos preparados para lidar com este tipo de situação. Ainda não entendi por que eles (os funcionários) não ligam para a Polícia Militar, só ligam para a gente.” Diante dessa afirmativa de um Policial Municipal que não quis se identificar ficam várias questões a serem levantadas. Inicialmente questiono qual é enfim o papel da Polícia Municipal se não o de manter a ordem e o progresso dentro do município, e se é (e realmente é) este o papel dela, por que esta não consegue desempenhar sua função? E por qual motivo eles “não estão preparados para lidar com este tipo de situação”?
Pode-se dizer que os valores estão se invertendo? Uma animália esta desenvolvendo? Alguns grupos sociais estão organizando suas próprias políticas, acima do pré-estabelecido que é regra geral para cada cidade, estado, pais, etc...
O que preocupa é a atitude que será tomada a cerca, levando em consideração que por falta de conhecimento ou mesmo por vontade própria, boa parte da população opta pela violência pura e simplesmente com a “explicação” de que só assim o problema será solucionado além de mostrar aos outros o que pode acontecer quando se infringe alguma lei.
Outro fato importante a ser tratado é esse “jogo de culpa” onde uma entidade ou pessoa passa a culpa para outro (a). No caso do Centro pop, a Prefeitura disse que não há revistas por conta das orientações técnicas da Política Nacional de Assistência Social, a Polícia Municipal passa a sua responsabilidade para a Polícia Militar e assim por diante.

Considero interessante e necessário que haja uma conscientização dos usuários do Centro para que eles mesmos evitem esses tipos de confusões, não que a conscientização vá erradicar as discussões, mas é um primeiro passo que futuramente pode trazer bons resultados o que é, inclusive, mais “barato” pro governo.                                                                                                                                                                                                                   Larissa Cristina Oliveira, Primeiro ano Serviço Social - diurno
Fato social na visão de Durkheim

Somos um órgão vivo, e portanto estamos todos nós (a sociedade) interligados, e é isso que então na visão de Émile da origem aos fatos sociais.
O "homem" surge em uma sociedade com costumes já pressupostos, o que faz com que ele os aprenda, e os reproduza, é dessa ideia que Durkheim tira a conclusão de que o indivíduo na maioria das vezes não cria aquilo que ele demostra no dia a dia, mas apenas reproduz. 
Olhando dessa forma percebemos que somos apenas uma reprodução daquilo que já é existente, ou seja, um amontoado de pequenas "mentiras" que forma características em nós superficiais e não exatamente o que somos de fato.
Pra começar a estudar fatos sociais, problemas sociais, é necessário uma busca profunda, que busque na raiz os verdadeiros fatos que os fizeram surgir, e que causam ou que vão causar os problemas em si. É o que chamamos de pesquisa.
Buscar na família, na vida dos indivíduos, a sua cultura, suas crenças, o que eles tiveram/tem como base, qual é sua raiz, da onde surgiu esse "problema" social ?
Émile faz justamente essa reflexão, os problemas sociais que enfrentamos não serão de fatores sociais que precisam ser mudados, desconstruídos ? Pra só assim ocorrer uma metamorfose em toda a sociedade ? 
Olhando para as duas reportagens discutidas em sala, podemos ter um exemplo claro de que é um problema enraizado que causa um maior e mais complexo. Uma prova disso foi o caso que ocorreu na Suécia, ao fecharem algumas prisões e recolocarem os infratores, reinseri-los novamente na sociedade, pôde-se perceber que o números de infrações e portanto presos diminuíram em até 6%, o que com toda certeza prova que a questão é sim social, e que deve ser estudada e reconstruída a partir de princípios diferentes dos atuais.
O que me leva a pensar que na questão do Centro Pop acontece algo semelhante, se não o mesmo, e que sim, deve-se mudar a forma como se intervem na vida desses usuários. Não que a ajuda não seja uma ótima opção, mas que seja feita, colocada em prática de forma mais consciente, educadora, pra que se possa realmente transformar a situação, e não apenas contorná-la.
Somos um órgão vivo, fazemos parte do todo.

(Aline Neiland - 1º ano SS - noturno)