sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Programa Esquenta: intenção funcionalista com fundo positivista

Ao assistirmos um programa onde o negro e a classe de baixa renda têm grande centralidade sendo exibido num canal televisivo e ainda de grande status na mídia, muitos são os que se surpreende de forma positiva, quanto de forma negativa. Mas que então analisemo-lo nós.
O programa tem a intenção de mostrar esse negro, sua cultura, de trazê-lo e incluí-lo então como cidadão que ele é, de dar o direito de liberdade de expressão sem discriminação. E ele vê o programa como uma parte da conquista dessa cidadania, pois eles mostram que são iguais e podem desde serem sambistas até grandes intelectuais; que possuem liberdade de ser igual a todos com os mesmos direitos, mostra que já não existe essa separação das “coisas de branco” e “coisas de negro”; que aquele (a) cidadão (ã)  de baixa renda que só assisti a TV pode fazer parte dela junto aos “artistas da globo”, que não se deve ter e existir essa “coisa de preconceito”. Realçam essas questões nas falas do programa.
O que nos remete um pouco a lembrar do funcionalismo, e é exatamente isto que o negro, no caso, no programa quer mostrar: que ele pode cumprir sim uma e qualquer função na sociedade, por mais que esta o exclua de forma a não dar condições e meios para isto, mesmo que ela não cumpra a sua função e que esta seja a culpada de sua situação, mas que ele pode mesmo assim dar uma resposta positiva para ela, corresponder ao que ela “deseja” e cumprir uma função. O negro não possui só a função de negro e pobre, mas também possui outros “papéis” e pode sim possuir outras funções.
Porém ao mesmo tempo, por mais que as intenções sejam estas, ao realçar demais a questão da cultura do negro, da classe baixa, da periferia, como pede muitos analisadores deste programa, é que se tome cuidado com o estereótipo do negro que se constrói nele, onde o negro estaria “fazendo festa” por ser pelo menos um cidadão,  subcidadão como dizem, estariam contentados com isto. Pois aqui não se estaria valorizando o ser humano independente da classe, mas reduzindo-o a “só isto”, não lhe mostrando assim a possibilidade de ter outras funções.
Dessa forma, não desconsideremos as boas intenções que este programa tem e um sabor de conquista deste espaço que ele dá aos negros, mas que esta seja uma analise construtiva para que se possa ter atenção. Pois o programa acaba nos levando a uma concepção positivista de que o negro não pode e não poderá ser e ter mais, de que não pode e não poderá mudar esta lei, de que ele será sempre o que ele é: sambista, funkeiro, baderneiro, do candomblé, mulheres com corpão e shortinho,escravo, pobres, etc. O que o Esquenta estaria de certa forma ajudando a manter ainda que sem perceber.


Obs: Para fazer este texto assisti ao programa do dia 19 de Outubro de 2014

Mariangela Santos de Oliveira- 1º SS/ N 


Uma luta contra a manutenção do status quo


     Certamente o Esquenta é o programa com o maior percentual de negros da TV aberta. Enquanto as novelas, seriados e telejornais são predominantemente brancos. Por que as novelas não têm galãs negros ou musas negras? Se analisarmos o número será irrisório, diferentemente do programa Esquenta que evidencia que o povo brasileiro é miscigenado, e ao miscigenar culturas, musicas e arte.
   O programa Esquenta causa estranhamento em muitos porque rompe com a ordem estabelecida e estereotipada de que o negro é pobre, desprovido de inteligência e inferior aos brancos, e de que não se deve misturar com os demais, ou seja, uma perspectiva positivista em que deve haver uma manutenção da ordem e para tal fato é preciso estabelecer limites entre brancos e negros. É uma das poucas vezes em que é possível o negro se reconhecer e ver que ele pode ser ator, poeta, ou musico, é mais que um programa dominical da Rede Globo, é um momento de reflexão em que as diferenças parecem ser mais amenas.
    A roda de samba de Arlindo Cruz e Leandro Sapulcahy estão na maioria dos programas, e o programa abre espaço para os diferentes gêneros musicais do país, desde o funk, forró, sertanejo, samba, pagode, ate musica clássica. E esses encontros se dão não só na música. A apresentadora Regina Casé pode entrevistar desde um presidente da república até as figuras mais populares e isso é algo inusitado, pois ainda reproduzimos uma logica racista e segregativa, enquanto a proposta do programa é de articulação.
    Como então falar sobre mudanças em um cenário ainda tão racista e excludente? Se continuarmos reproduzindo essa visão disjuntiva, positivista e reducionista não será possível fazer essa interlocução e reflexão acerca da manutenção do status quo, " é hora de fazer uma lavagem cerebral" Gabriel O pensador.

Gabriel O Pensador - Racismo é burrice  


Bianca Barbosa do vale 1º ano SS diurno